quinta-feira, 18 de junho de 2020

O dia de hoje na história do Rock

Dia 18 de Junho

1988 – A Legião Urbana fez em Brasília, no estádio Mané Garrincha, o fatídico show que ficou conhecido como a Altmont Candanga, numa referência a apresentação malfadada dos Rolling Stones em 1969, na Califórnia. Antes mesmo do show, que começou com atraso superior a uma hora, mais de uma dúzia de ônibus foram depredados na rodoviária. Houve atraso na abertura dos portões e com a aglomeração de pessoas, alguns destes portões simplesmente foram arrebentados. Logo, policiais partiram para cima do público com cavalos e cachorros. Enfim, o caos já estava instaurado.
O show começou animado com “Que País é Este”, com um Renato super empolgado. A apresentação seguiu bem até a quarta música, “Conexão Amazônica”, dedicada a “capital brasileira do consumo de drogas”, quando um fã invadiu o palco e segurou Renato pelo pescoço, que se defendeu batendo com o microfone no agressor. Passado este incidente, embora o clima continuasse tenso, o show continuou. 
Em “Ainda é Cedo” um segurança, sem mais nem menos, agrediu um fã e prontamente Renato saiu em sua defesa “Solta ele. Solta! Tu levas o microfone na cabeça, solta ele.” Ao final da mesma música uma bomba foi atirada ao palco, derrubando o violão de Renato que prontamente ameaçou “Da próxima vez a gente vai embora(...) Por causa disso nós vamos pular as três próximas músicas(...) Qual é, não vão atingir a maioridade, não? Vão ficar sempre nessa merda, é?”. O clima não melhorou e outros objetos foram atirados ao palco. Vale o registro que as três canções seguintes seriam “Tédio (Com Um T Bem Grande Pra Você)”, “Química” e “Geração Coca-Cola”. Músicas que por serem punks em sua essência, muito provavelmente, seriam como jogar gasolina numa fogueira já meio, ou totalmente, fora de controle.
 
Então, abreviando consideravelmente o repertório, escolheram canções com todo sentido à situação e tocaram “Faroeste Caboclo”, “Tempo Perdido” e “Será”, deixando o palco na décima primeira música. Quando a galera percebeu que não haveria o bis começou o quebra-quebra. 
Foram quase 400 pessoas feridas, muitos deles com fraturas por pularem o fosso que separa a arquibancada do gramado. Equipamentos foram destruídos e o estádio depredado, estimando prejuízos da ordem de R$ 10 milhões de Cruzados, a moeda da época. Naturalmente, o governo do DF responsabilizou a banda por todos os incidentes. Um muro em frente ao apartamento dos pais de Renato foi pichado com “Legião não voltem mais”. Fãs quebraram e queimaram os discos da banda.  
Por conta do ocorrido Renato prometeu, e cumpriu, nunca mais voltar a se apresentar em Brasília. O episódio mexeu também com sua percepção e a composição do disco seguinte da Legião Urbana, As Quatro Estações, refletiu muito desta situação. 
Enfim, como concluiu a jornalista Sônia Maia em sua excelente cobertura à Revista Bizz, edição agosto/1988, “A culpa de Renato é a de ter desejado se relacionar com 40 mil pessoas como se fosse uma delas. Um sonho talvez.”   

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