terça-feira, 21 de junho de 2011

Os deuses do futebol estão com a gente!

Eu, como a maioria – para não dizer a totalidade – dos torcedores, tenho um lado todo supersticioso para os jogos do SANTOS. Pois bem, não é que esta final da Libertadores é uma ótima oportunidade para realçar inúmeras coincidências e curiosidades?

Comecemos pela feliz conspiração do destino que propícia ao SANTOS FC fazer sua 100a partida na competição justamente numa final. Quantas equipes no mundo, em qualquer competição importante, tem este privilégio? Coisas que só o nosso ALVINEGRO pode ter.

Esta é a nossa Libertadores de número 11, ou seja, o mesmo número da camisa de nossa principal estrela: NEYMAR. Quer mais? Assim como naquela ocasião, a da primeira conquista em 1962, nessa final haverá o retorno de nosso CAMISA 10 (que na VILA não é número é instituição), Paulo Henrique GANSO, como retornou PELÉ, no terceiro duelo, em Buenos Aires. O REI simplesmente destruiu o rival, anotando dois gols.

Nossa primeira conquista, foi justamente contra este time uruguaio, em 1962, quando éramos a base da seleção brasileira de futebol, como agora. Na seleção campeã do mundo Gilmar, Mauro, Zito, Coutinho, Pelé, Pepe e Mengálvio, faziam parte do escrete canarinho. Agora temos NEYMAR, GANSO e ELANO. Por que não dizer, ROBINHO?

Para arrematar, jogaremos no Pacaembu onde alcançamos todos os resultados que precisávamos no torneio, mesmo naquele empate que tivemos contra o Once Caldas. E se pra você ainda não está bom, basta lembrar que o jogo que nos colocou nas fases de mata-mata da Libertadores, contra o Deportivo Táchira, aconteceu também na véspera de um feriadão prolongado, como este.

Enfim, agora só preciso colocar a minha camisa branca, a especial usada na Libertadores, que comprei na véspera da partida contra o Colo-Colo na Vila Belmiro (quando mentalizei EU AINDA ACREDITO), me barbear e ir pro estádio com meu amigo Bodão.

BORA LÁ, SER TRI SANTOS!!!


sexta-feira, 17 de junho de 2011

A Fofoca Mora ao Lado

Quem nunca fez um comentariozinho, maldoso ou não, sobre a vida dos outros? Quem nunca deu uma espiadinha na vida alheia? Pois é, a fofoca é algo que o ser humano faz desde os primórdios. Uns até a usam como modo de ganhar a vida. Bem, a gosto, ou mau gosto, pra tudo, não é?

Mas você já deve estar se perguntando por que estou falando em fofoca. Ok, ok, eu explico: o que me leva a falar sobre o assunto é o espetáculo encenado por Paulo Moraes, no Teatro Plínio Marcos, que seguirá em cartaz todos os sábados, até o final do mês de julho.

Quem me conhece sabe que nunca fui fã de teatro. Até então, todas as minhas experiências com a dramaturgia em palco se restringiam a textos co-relacionados ao trabalho da minha banda preferida: a Legião Urbana. Assim, assisti, duas vezes, a Um Certo Faroeste Caboclo, naturalmente baseada na música homônima. Depois um espetáculo incrível batizado de Revolução Urbana. Aí alicerçada em quase toda a obra da banda. E por último, também a assisti por duas vezes, um espetáculo baseado na vida de Renato Russo, em que cheguei às lágrimas, muito próximo do especial televiso Por Toda Minha Vida, da Rede Globo.

Desculpe-me, mas achei necessário fazer este adendo a minha motivação em ir ao teatro. Além do que, estamos entrando (a sensação térmica já é) no inverno (21/06) e este tipo de entretenimento é ótimo, pois é um ambiente fechado e aconchegante.

Voltando ao que interessa, a peça A Fofoca Mora ao Lado, Paulo Moraes desenvolve um texto irreverente e com boas sacadas para Abigail: uma simpática senhora que passa o dia cuidando da vida dos outros, é claro. Naturalmente, não vou citar nomes, mas na minha rua tem algumas senhoras muito parecidas. Sabe àquelas que comentam sobre a filha de fulano e de repente a filha dela mesma aparece grávida?  Aposto que na sua rua também tem uma ou mais destas, não é? No caso de A Fofoca... Abigail pega mais leve, até porque não teve filhos, no máximo, deixa queimar o feijão.

Apesar de ser um monólogo Abigail interage muito bem com o público, chegando mesmo a, digamos, contracenar com ele, propiciando situações interessantes. Bom também perceber que o autor não deixa de fazer algumas críticas contra políticos contemporâneos ou aspectos sociais, sendo àquelas feita ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e à gente diferenciada de Higienóplois, as mais engraçadas. Imagino que neste âmbito não faltem motivos para improvisar em cena. É sempre uma liberação de verbas pra Copa do Mundo aqui, uma reprimenda a bombeiros ali, e por aí vai.

Enfim, em tempos tão tenebrosos rir ainda é a melhor opção. Ir ao teatro, por si só já é, ao menos para a maioria, sair da rotina do cotidiano, o que é sempre bem vindo. Por estas e por outras A Fofoca Mora ao Lado vale uma conferida.

A Fofoca Mora ao Lado, de Paulo Moraes, em cartaz no Teatro Plínio Marcos, aos sábados a partir das 20h30, até 30 de Julho.
Direção: Lineu Carlos Constantino e Evelyn Erika
Com Paulo Moraes.
Rua Clélia 33, Shopping Pompéia Nobre, ao lado do SESC.    

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Uma breve conversa com DEUS

Estava tão absorto em pensamentos e todos eles estavam na direção de DEUS. Tão forte era meu pensamento no SENHOR, que tão logo mergulhei no sono ELE apareceu sentado em minha cama. Eis que atônito, olhei em seus olhos e os DELE me fitavam como jamais imaginei alguém ser capaz de fazê-lo. Foi então que começamos a conversar.

- Bom dia, filho – disse com uma voz imponente e límpida. –  Tanto tens me chamado que decidi ser esta uma boa hora para prosear com você.

- Mas SENHOR, não que eu não queira e nem me ache merecedor, imagino que a quantidade de solicitações a TI sejam inúmeras a cada segundo – respondi um tanto quanto incrédulo.

- Não duvides disso, meu filho. Mas sabe como é, alguns pedidos não tem o menor cabimento. Outros só pedem e não me ofertam nada em troca. Não que eu queira, mas... É preciso compartilhar e reparei que tens andado por demais pensativo.

- Oh! SENHOR do céu. Acho que somente TU és capaz de entender o quanto ando pensativo. Aliás, eu sempre fui pensativo, graças ao SENHOR, eu acho - DEUS caiu na gargalhada.

- Filho, não se esqueça que sou o dono de tudo, mas dei a cada um de vocês o poder do livre arbítrio, lembra-se? Não sou responsável por metade das coisas que me atribuem. No fundo você sabe disso. 

- É, acho que eu sei, sim. Mas por vezes não compreendo o por que de determinadas coisas, especialmente as que acontecem comigo.

- Por exemplo? - me indagou.

- Posso ser sincero? - perguntei surpreendentemente sorrindo.

- Deve – respondeu coçando a barba e com a cara de quem sabia qual seria a pergunta. 

- Por que as muletas? – minha voz saiu meio que embargada.

- Bem, acho que você já ouviu a explicação pra isso, não é meu caro? Lembra-se? – e tocou meu ombro.

- Bem, aquilo foi uma analogia. Seguramente a coisa mais linda que já ouvi na vida, mas foi uma maneira de me fazer um carinho. Sei que ando longe da perfeição e ultimamente devo estar pecando um bom bocado.

- Quanto aos pecados, não tenho dúvidas, filho. Porém, deixemos isso de lado – DEUS sorriu deliciosamente e depois prosseguiu. – Agora sou eu quem lhe pergunto: o carinho – esse negócio de analogia, hipérbole, eufemismo, ou que quer que seja – pra você, saiu do coração dela?


- Quanto a isso não tenho dúvidas, meu SENHOR. Nem os 500 km que nos separavam podiam esconder tal sentimento. Aquilo saiu do fundo d´alma. Mas, SENHOR, não me seria mais justo não tê-las e quem sabe, por assim dizer, ter conquistado, desculpe-me a blasfêmia, mais? – tão logo conclui a pergunta corei imediatamente.

- Não fique constrangido – disse-me calmamente. – Vocês homens são quase todos iguais mesmo. Digamos que você tenha razão quanto às conquistas, mas você preferiria ter muitas outras, ou apenas uma?

- Uma me bastaria – respondi prontamente. – Acho sublime aquela frase do Mario Quintana – afirmei categoricamente.

- Qual frase? – após tal pergunta o encarei com incredulidade.

- Como qual frase, meu SENHOR? – disse, pra minha surpresa e vergonha, meio ríspido. – Aquela “um homem não precisa ter mil mulheres...” – DEUS apressou-se a me interromper.

- Ah, sim. Claro que me lembro – disse todo orgulhoso. – Ele a escreveu depois de um sonho em que conversamos e fui eu quem ditou a ele – vendo a minha a expressão DEUS retomou a palavra. –  Mas então, porque se preocupa com as demais?

- Não sei se o SENHOR já ouviu falar da expressão a fila anda... – DEUS interveio.

- Conheço, mas esta não foi inspiração minha, acredite – assim, olhei pra baixo e o SENHOR me entendeu respondendo. – É bem provável. Mas voltando a você, suas muletas são amuletos, pois você não enfrenta filas, pode passar a frente de todos, pode rodar em dia de rodízio, não paga IPVA e se meus outros filhos respeitarem, terás vagas preferenciais – DEUS estava quase gargalhando.

- Não conhecia este seu lado SENHOR. Que bom que tens senso de humor. 

- Eu tenho, sim. Uns dias mais, outros menos. Igual a vocês. Mas voltando aos seus pensamentos, me diga: mudando um pouquinho de assunto, pra qual time você torce, mesmo?

- O SENHOR sabe, o Santos, oras. Aliás, ele tem um belíssimo nome. Não tem SENHOR? É um time dos céus, não é?

- He, He, He – revelava um leve sorriso. – Meu caro, por que tu achas que surgiram, na mesma época, Gilmar; Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe? – a satisfação estava estampada em seu belo rosto.

- Sério? Eu sabia. Eu sempre soube que o SENHOR era dos nossos – conclui triunfante.

- Mas não espalha, não. Eu não quero contrariar meus outros filhos. Mas para que não digam que não sou justo, deixei o Santos por muitos anos à mercê de homens vaidosos e foi aquele caos. Mas estou sempre atento e dou minhas compensações, não é? Diego e Robinho, agora Neymar e Ganso... – abruptamente o interrompi.


- Ei, ei, me diz aí, ganharemos esta Libertadores? – não pude resistir a esta pergunta. 

- Desculpe-me, mas não posso lhe falar sobre isso. Se eu disser, que graça haverá em você assisti-la depois? – respondeu sem me dar a menor pista.   

- Obrigado SENHOR! Desculpe-me pela pergunta, mas é melhor assim. Como sempre, tens razão. Não posso abrir mão daquela sensação que tenho nos grandes jogos. A ansiedade, o ritmo acelerado do coração, uma sensação inexplicável...

- EU sei. Mas voltando ao ponto em que te perguntei sobre seu time, você o ama de coração, não é?

- Sem dúvida alguma – novamente respondi de pronto.

- Pois bem, quantos anos você esperou por um título realmente grande, de expressão?

- Bem, foram 18 anos, não é SENHOR? 

- Isso mesmo. Lembra o quanto você chorou quando o Léo acertou aquele chute no ângulo? – ELE me perguntou com emoção. 

- Claro que me lembro. O SENHOR também chorou?

- Todos nós lá de cima. Foi uma festa muito bonita que só um time com um nome destes poderia propiciar – DEUS era pura satisfação.

- Pois é, SENHOR. Aquele dia foi incrível. Era um dia lindo de um sol esplendoroso. As defesas do Fábio Costa, as pedaladas do Robinho... Que dia!!! Obrigado meu SENHOR – agradeci de todo o coração.

- Prepare-se, haverá muito mais por vir – concluiu categoricamente. – Mas o que quero te mostrar com isso é que a paciência é uma virtude e você já demonstrou tê-la. Porém – disse-me em tom de advertência, – faça para que as coisas aconteçam. Não espere somente por mim. Se você está fazendo a sua parte, e isso serve para tudo, e não está acontecendo, talvez não seja pra acontecer. Prometa a ti mesmo que não perderá oportunidades, pois estas são únicas. 

Fitou-me nos olhos e concluiu: - Meu filho, eu sei que você não crê muito em coincidências, por tanto, encare algumas delas como oportunidades que se abrem. Sinais que EU estou transmitindo. Entendeu? – me perguntou com uma ternura única e comovente. Eu apenas balancei a cabeça afirmativamente. Então ele arrematou. –  Lembre-se, eu jamais deixarei um jardim com uma flor solitária. Olhe para os lados e verás que existem muitas outras...  

Nesse momento DEUS levantou-se e eu fiz o mesmo. Trocamos um longo e afetuoso abraço. ELE se despediu dizendo “demorarei muito a encontrá-lo novamente, carpe diem, meu rapaz.”    

Amém!!!


                                                              

sábado, 21 de maio de 2011

Vem aí o Brasileirão 2011


Eis que a grita da imprensa, em sua maioria corintiana, deu resultado. Ou melhor, fez a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) se coçar. Estou falando sobre as “entregadas” de São Paulo e Palmeiras para o Fluminense ser o campeão Brasileiro de 2010. Como se o Corinthians não tivesse em dois jogos contra duas equipes rebaixadas, Vitória e Goiás, tropeçado nas próprias pernas e não tivesse, ele próprio, jogado o campeonato no ralo. E olha que o time de Parque São Jorge não foi sequer o vice. Ficou apenas em terceiro, o que lhe custou a participação na Libertadores deste ano. Com todo este burburinho, os “erros” de arbitragem que o favoreceu, nem são lembrados mais. 

Digo grita da imprensa, em sua maioria corintiana, porque, em 2009, o mesmo Corinthians não fez o menor esforço ao enfrentar o Flamengo, na penúltima rodada do Brasileirão, daquele ano, em tese, prejudicando o São Paulo. No entanto, não houve tamanha repercussão. No máximo uma linha aqui, outra ali. E só. Nunca é demais lembrar que o Tricolor paulista também liderava a competição há três rodadas do fim. Mas em nove pontos disputados, somou apenas três. Então, em ambos os casos, a culpa foi de quem?

Pra mostrar que está atenta a tudo a CBF (Circo Brasileiro de Futebol) resolveu montar a tabela com clássicos estaduais nas duas últimas rodadas da competição. Pois assim, a rivalidade impede que um time “entregue” ao outro. Ok, perfeito. Esquece-se, porém que São Paulo e Rio de Janeiro terão dois grandes jogos no mesmo dia. Especialmente na última rodada.

Esquece-se ainda que no Rio de Janeiro só há um estádio, uma vez que o Maracanã foi demolido para, mais uma,  reforma visando a Copa de 2014 (isso merece um post à parte). Ou os cartolas da CBF (Casa da Bagunça do Futebol) não estavam sabendo disso? Bem, se Ricardo Teixeira e sua trupe já não dão à mínima para o nosso amado esporte, eles estão nessa pelo business,  imagina agora que o manda-chuva preside, concomitantemente, a entidade e o Comitê Organizador da Copa.

A medida paliativa, não resolve o “problema”. Mas ela faz, por exemplo, o São Paulo e o Vasco não viajarem nas últimas três rodadas da competição. Aliás, as últimas duas temporadas não se resolveram na última, mas na penúltima rodada. E na configuração da tabela deste ano dá margem à mesma dúvida. Pois há jogos entre times que, em tese, podem estar lutando pelo título, envolvendo seus rivais estaduais.

Antes que alguém diga que o problema está no sistema de pontos corridos, basta lembrar o Paulistão de 2003. Na ocasião, o São Paulo enfrentou o Santo André e abriu fáceis 2 a 0.  Depois tirou o pé e ocorreu o empate, com um gol bem estranho, inclusive, do time do ABC. Eliminando assim, o Santos, que não fez sua parte nas suas partidas.

Enfim, o pior de tudo é que a medida parte do pressuposto de que todos são culpados até que se prove em contrário. Confesso que eu tenho dificuldades em entender isso.

Falando um pouquinho de futebol, prognósticos no início da competição são verdadeiros desafios, pois os times tendem a mudar com a janela do futebol europeu. A perspectiva de perder seus melhores jogadores está sempre à espreita, pois equipes do velho continente costumam seduzir nossos craques, mesmo com migalhas, e os times daqui fazem muito pouco para segurá-los. Dentro da normalidade e sem grandes mudanças, três times largam como favoritos: Santos, Internacional e Cruzeiro. 

Naturalmente, o time de Vila Belmiro é o que tem mais ponderações. Se vencer a Libertadores jogará o Mundial de clubes no fim do ano e dificilmente se empenhará com o mesmo afinco ao longo Brasileirão. No entanto, até por ter Muricy Ramalho no comando, pode tornar o desafio de vencer todas as competições um estímulo pra lá de atraente. O que mais pesará contra o Santos, na verdade, serão os desfalques que o time sofrerá durante a Copa América (de seis a sete rodadas). Neymar e Elano estarão na lista de Mano Menezes, além de Ganso, que se recupera de contusão e, a princípio, não parece que terá mercado lá fora nesta janela, já que ficou fora dos gramados praticamente uma temporada inteira. 

Um pouco abaixo aparecem Fluminense, atual campeão, São Paulo, Corinthians e Flamengo. Além de eventuais surpresas. Na ponta de baixo da tabela, dos chamados grandes, o Botafogo é o que mais corre perigo, já que o time atual é extremamente limitado. Se os estaduais não servem de referência aos que vencem a competição, imagine aqueles que nem brigam pelo título. Também brigam para permanecer na elite, América-MG, Bahia, Figueirense, Atlético-GO, Ceará e Avaí. Evidentemente que tudo é prognóstico, que não tem a menor pretensão de se tornar realidade. É apenas a minha opinião e a maneira como vejo o futebol. Podem até discordar, mas não precisam me xingar por isso, ok?
http://www.youtube.com/watch?v=EfT3dxXN1O0


sexta-feira, 20 de maio de 2011

Atingindo a maioridade

Vinte e cinco anos é tempo à beça. Não por acaso, feitos com esta idade costumam ser bem comemorados. No casamento, por exemplo, comemora-se a bodas de prata. Eu acho significativo falar em um quarto de século.

Pois bem, mês passado completou 25 anos do lançamento do álbum Selvagem?, do grupo Os Paralamas do Sucesso. Em princípio, recebido com desconfiança, especialmente, pelos colegas de outras bandas do Rock Brasil. O disco vazou, em fita cassete, na Rádio Cidade do Rio de Janeiro, e já saiu causando polêmica. Uns amaram, elogiando a evolução musical, sobretudo a mistura rítmica, a temática social e letras maduras. Outros odiaram e as críticas, basicamente, vinham no clichê: cadê o rock? Até o próprio Hebert Vianna ligou pra rádio pra explicar a mudança em relação aos dois primeiros discos.

Importante ressaltar que Selvagem? é, antes de tudo, um disco corajoso. Afinal, a banda vinha de um disco super bem sucedido, O Passo do Lui (200 mil cópias vendidas), com nada menos que sete hits, incluindo, o mega-hit Óculos. Um disco pop/rock básico. A banda havia sido o nome brasileiro do primeiro Rock in Rio e seus shows percorreram o Brasil de um extremo ao outro. Seria mais cômodo repetir a fórmula, mas Os Paralamas preferiram ousar.

Muito contribuiu para a realização do disco, da maneira como foi concebido, o acidente automobilístico sofrido pelo baterista João Barone, obrigando a banda a uma parada forçada. Quando retomaram os trabalhos estavam ouvindo muita música africana, muito reggae, e, embora não admitam, eles sempre quiseram deixar a pecha de o The Police brasileiro. Convenhamos, esta sempre foi uma definição muito simplória para o som da banda.

De cara o disco abre com Alagados, quase uma lambada, com a genialidade do guitarrista Hebert Vianna à mostra. Bem, de maneira geral música de cinco minutos pra ser tocada em rádio é uma aberração, no entanto, tocou. Como tocou. A letra é uma crítica social violenta às nossas diferenças. Assim como A Novidade, em parceria com Gilberto Gil. Teerã, bem como A Dama e o Vagabundo são músicas experimentais.

O swing jamaicano do reggae permeia o disco. A já citada A Novidade, Você, O Homem e a bem humorada Melô do Marinheiro. There´s a Party, é cantada em inglês. A faixa-título Selvagem? tem uma fina ironia, pois questiona-se a falta de rock no disco. Porém, o riff de guitarra desta canção é incrivelmente rock and roll. Ao vivo então, é pesadíssimo. A letra segue a linha de Alagados e expõe cruelmente nossas diferenças, preconceitos, ausência do Estado e os demais desmandos.    

Outra boa sacada da banda é a sua versão para Você, do grande Tim Maia. Hebert explicou desejar muito uma música de Tim em disco dos Paralamas. Pensando nas inúmeras possibilidades explicou que a escolheu porque nada pode ser mais definitivo do que dizer a alguém “você é algo assim / é tudo pra mim / é como eu sonhava, baby”, concordo plenamente. 

Enfim, este álbum deu uma guinada na musicalidade da banda e acentuou a sua necessidade de experimentar. Bora-Bora, o disco seguinte, é até mais ritmado, pois já estavam completamente à vontade e respaldado pelo sucesso anterior. Eles apontaram novos rumos na produção de rock no Brasil, quebraram alguns preconceitos, permitindo novas ideias. Deixando de lado restrições por conta de estereótipos. A miscigenação musical é bem vinda desde que realizada por músicos competentes, e este é o caso.

Esta aí um dos meus discos de cabeceira, lançado há longínquos 25 anos. Aliás, o ano de 1986 foi pródigo para o Rock Brasil, pois também foram lançados Dois (Legião Urbana), Cabeça Dinossauro (Titãs), Vivendo e Não Aprendendo (Ira!), O Concreto Já Rachou   (Plebe Rude), Capital Inicial (Capital Inicial), entre outros.



quinta-feira, 5 de maio de 2011

Quarta-feira de cinzas


Não resta dúvidas de que na noite de ontem o Sobrenatural de Almeida estava à solta, diria o saudoso Nelson Rodrigues. Ele transitou, sobretudo, no Beira-Rio e na Arena do Jacaré. Pois todos, inclusive eu, davam como certas as classificações de Internacional e Cruzeiro. Além de meros palpites, tais prognósticos baseavam-se no simples fato de que ambas as equipes brasileiras são, ou eram, melhores que seus adversários, jogavam em casa e com vantagem. Porém, o futebol é realmente mágico e apaixonante por conta disso. Nem sempre o melhor vence, o imponderável apresenta-se sem avisar, até por isso é imponderável, e ser favorito, por vezes, não basta.

Desde a Copa do Mundo de 1950 falamos em favoritismos desmedidos e, invariavelmente, caímos do cavalo. Pra não recorrer tão longe na história e parecer um eterno saudosista basta uma olhada na história recente de nosso futebol. Ano passado o próprio Internacional fez o favor de ser eliminado pelo, prá lá de modesto, Mazembe, do Congo, no Mundial Interclubes da FIFA. Enquanto que este ano foi o Corinthians quem derrubou a “lógica” ao ser eliminado ainda na fase pré-Libertadores, pelo, indubitavelmente mais modesto, Tolima. Neste caso, há o agravante de terem sido realizadas duas partidas em que o time paulista não conseguiu sequer fazer um único gol.

Em Minas o Cruzeiro, melhor time da primeira fase, podia perder por 1 a 0 ou até mesmo empatar por qualquer placar. Mas o que se viu em campo foi um time apático, completamente dominado pelo adversário e que não merecia outra sorte que não a desclassificação. Antes que alguém culpe o Roger, tolamente expulso, pelo fiasco cruzeirense, saiba que o placar de 2 a 0 foi pouco para o time colombiano.  No Sul, a camisa do Peñarol pesou, e muito. Não nos esqueçamos o momento atual do futebol uruguaio: o país foi semifinalista na última Copa do Mundo, ficando à frente da seleção canarinho, e está classificada, como o Brasil, para a próxima Olimpíada. Para um país do tamanho do Uruguai e que tem um êxodo de jogadores assustador, não é pouca coisa. 

Já os visitantes Fluminense e Grêmio tinham duros duelos e a situação dos gaúchos era, a bem da verdade, favas contadas. Bem, em noite de tão grandes “zebras”, ao menos alguma lógica o futebol tinha que preservar, não é? Assim o Grêmio, combalido e desfalcado, voltou a perder para o bom time da Universidad Católica. A derrota no Olímpico mostrou-se irreversível e, embora seja considerado imortal por seu torcedor, até o mais fanático gremista sabia que seria difícil. Quanto ao Fluminense, parece que o time de guerreiros gosta mesmo é de contrariar os matemáticos e causar taquicardia em seu torcedor tricolor. Pois, com uma vantagem relativamente cômoda, já que podia até perder, passou os primeiros 45 minutos no 0 a 0. Mas não é que na segunda etapa levou três gols e foi eliminado? Desta vez nem um escanteio no último lance foi capaz de provocar um golzinho que levaria à decisão por pênaltis.

Como ainda não havíamos tido um desempenho tão ruim em Libertadores, neste novo formato a partir de 2000, com apenas um representante nas quartas-de-final, podemos repensar um pouco a nossa alto-suficiência, como os melhores da América. Parte deste fracasso passa por certa soberba. Quem sabe até mesmo revermos nosso calendário, com tantos jogos desgastantes e inúteis, no primeiro semestre. Já deixo claro que não sou contra campeonatos estaduais, ao contrário. Mas racioná-los é preciso. Nenhum, absolutamente nenhum campeonato estadual, hoje, se justifica da maneira que são realizados. Vinte clubes em São Paulo, 16 no Rio de Janeiro, 16 no Rio Grande do Sul é um exagero sem fim.

Com tantas lições aplicadas em uma só noite já dá para imaginar a maneira como Muricy irá conduzir o time do Santos, único sobrevivente brasileiro do torneio continental, daqui por diante. Aliás, a classificação frente ao América, no México, demonstrou que não há jogos fáceis na Libertadores. Quando muitos disseram que a vitória do Alvinegro por 1 a 0, na Vila, foi pouco, o discurso já era de que o importante era vencer e não levar gols, pois na Libertadores a coisa é diferente.

O Santos não fez um carnaval na terça-feira, após a suada, porém justa classificação, mas que a quarta-feira de futebol foi de cinzas para o Brasil, ah isso foi.
                                                                  
                                                 
 http://www.youtube.com/watch?v=KwSvuq9qoKc&feature=related


terça-feira, 26 de abril de 2011

No dia do goleiro, o Brasil deve desculpas a Barbosa

Meus tios dizem que meu pai era um excepcional goleiro nos anos 60 e 70, lá no Mato Grosso, que depois virou do Sul. Poderia ter sido profissional, mas os tempos eram outros e ele não foi descoberto. Quando a partida era decidida nos pênaltis, não havia dúvidas, a vitória era do Estrela Dalva, time em que João Caiçara era o arqueiro.  Vaidoso como era, usava uma linda camisa branca confeccionada pela minha mãe. No melhor estilo Raul Plasmann, então goleiro do Cruzeiro, que chamava a atenção com sua camisa amarela. Lamentavelmente nunca tivemos uma relação pai e filho, por consequência, não tenho maiores detalhes e, infelizmente, nem saudades.

Quanto aos demais goleiros, são considerados caras amaldiçoados porque eles estão lá para evitar o maior momento do futebol, o gol.  Será por isso que onde pisam nem grama nasce? Será um castigo? Não sei, mas o fato é que eles nunca são reverenciados como os atacantes. Quase nunca são lembrados, exceto, basicamente, quando falham. O que é uma crueldade. Claro, que como toda regra, há as exceções.

Eu acompanho futebol desde 1979, e o melhor que vi jogar, disparado, foi Rodolfo Rodriguez. O uruguaio brilhou no Nacional de Montevidéo e se transferiu para o Santos em 1983, transformando-se em ícone. Não por acaso, até hoje é dele a maior sequência de defesas realizadas no mesmo lance, quatro e um chute na trave. Em partida válida pelo Campeonato Paulista de 1984, contra o América de São José de Rio Preto. Um pouco mais abaixo está São Marcos, jogador raro que consegue ser querido por todos os torcedores.

Bem, depois de citar estes três goleiros há um em especial, que merece, sobretudo, uma reparação: Barbosa. O camisa 1 do Brasil na Copa de 1950 ficou estigmatizado pelo fracasso da daquela Seleção. O Brasil já é penta-campeão de futebol, mas até hoje não assimilamos a derrota em 1950, em pleno estádio do Maracanã.

Pois é, um fracasso ocorrido há mais de meio século, mas que ninguém consegue esquecer. Pior do que lembrarmos da derrota é a deturpação dos fatos. Eu cresci ouvindo dizer que perdemos àquela Copa por culpa do Barbosa. Sempre que alguma matéria tratava o assunto, o importante era fechar dizendo que a culpa foi dele. Foi só em 1994, quando do lançamento do livro A Copa que ninguém viu, e a que não queremos lembrar, de Armando Nogueira, Jô Soares e Roberto Muylarte, é que ouvi alguém dizer que perdemos para um time que, se não era melhor que o nosso, era muito bom e tinha craques como Schiafino, Ghiggia, Mazzpoli e Obdúlio Varella, além da tradicional garra da Celeste Olímpica.

Perdemos um jogo em que podíamos empatar e ainda saímos na frente, já no segundo tempo. Seguindo o raciocínio do primeiro gol sofrido, quando Ghiggia tocou para Schiafino, Barbosa se antecipou ao cruzamento. O ponta, porém, não cruzou. Chutou entre nosso goleiro e a trave, fazendo o gol da virada. Começou ali, naquele dia 16 de julho, a maior pena já imposta a alguém no Brasil. Ela durou 50 longuíssimos anos, até o falecimento do ex-arqueiro. Barbosa faleceu em 7 de abril de 2000, numa sexta-feira ensolarada, na cidade de Santos.

Ao longo de 15 anos de carreira, fez parte de um dos principais times de futebol do Brasil, o Vasco da Gama na segunda metade da década de 40, também conhecido como Expresso da vitória. Foi no time cruz-maltino que o goleiro ganhou notoriedade e reconhecimento vencendo, inclusive, o preconceito por ser negro.

Confesso que quando li A Copa que ninguém viu... fiquei perplexo e, ao mesmo tempo, indignado por não ter aquela informação anteriormente. Justiça se faça a outros escritores que trataram do assunto, como Paulo Perdigão, por exemplo, em A Anatomia de uma derrota que só li em 2003, mas a grande imprensa, aquela que atinge um número maior de pessoas, nunca fez essa ressalva. Nunca se preocupou em pelo menos dar os fatos como eles aconteceram, aí cada um que tirasse sua própria conclusão. Mas não, pelo menos até agora, ela prefere manter o mito e a lenda vivos.

Ainda espero ver um especial sobre Barbosa para que não reste dúvidas de sua categoria e que, principalmente, se faça justiça a alguém que foi crucificado e sofreu calado a dor de uma derrota que não foi só dele, mas que ninguém pagou como ele. Ao Barbosa, minhas mais humildes desculpas.